sexta-feira, 4 de outubro de 2013
'No abraço mais do quem em palavras, as pessoas se gostam.'
Das sensações ruins: abraçar quem não sabe o que é abraço.
Das recompensas: sentir o abraço de quem desconhecia tal gesto.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Pressentimento
Repito pra mim: Nada vai acontecer Nada vai acontecer Nada vai acontecer...!
Depois me lembro que você não é tudo nesse mundo.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Nem tudo está perdido, amor
Dormi sorrindo e acordei no mesmo estado.
Não sei se porque a noite anterior foi diferente das habituais e eu esqueci do tempo, enquanto abrigava meus pés entre as almofadas do sofá.
Estávamos nós: Eu e a Música, como de costume. Mais nada ou ninguém.
[Só em pensamento]
É certo que tive umas chateações, mas nada que me tirasse daquela atmosfera ensolarada, que mesmo à noite se fazia presente.
Quase durmo ali, encolhida, como alguém que chega tarde de uma festa, sem a mínima condição de trocar a roupa e muito menos, enfrentar a maratona de subir alguns degraus da escada.
Mas não, optei pelo conforto da cama. E ainda fui agraciada por alguns minutos de uma boa entrevista na TV.
Peguei no sono...
Pelo que lembro, dormi toda a madrugada e não tive pesadelo, como em noites passadas.
Acordei com uma música na cabeça, quase cantarolando. Mas a preguiça era a mesma de todas as manhãs.
Minto. Não era a mesma, já que deu tempo de admirar o céu ensolarado até voltar ao bom sono matinal.
[Tem dias que mesmo com a janela escancarada e o sol radiante, é preferível a visão obscura por entre os furinhos da nossa manta]
Acordei de novo e despertei. Com a mesma sensação que velava minha noite horas atrás: de bem estar. E mais: com o pressentimento de que algo bom estava pra acontecer.
Confidenciei minha suspeita à minha irmã, que logo achou tendenciosa.
Achei sã da parte dela.
Talvez 'aquilo' tivesse mesmo [só] relação com os 'planos' do dia. Mas eu queria expandir os horizontes e não concentrar minha expectativa no previsível.
Achei sã da parte dela.
Talvez 'aquilo' tivesse mesmo [só] relação com os 'planos' do dia. Mas eu queria expandir os horizontes e não concentrar minha expectativa no previsível.
Bom, foi o que eu tentei.
As horas se passaram e com elas as trivialidades.
Junto àquele bom pressentimento estava a Sr.ª Espera. Praguinha corrosiva, essa.
[Com agravante para os que sempre desejam 'chegar antes pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus']
E contra a minha vontade, esperei.
Esperei acompanhando os números mudarem na tela do meu celular.
Esperei pensando 'Como o dia tá passando devagar, já faz um tempão que minha irmã saiu de casa!'.
Esperei pintando a unha enquanto ouvia dois álbuns completos de Marisa Monte.
Esperei descobrindo beleza numa música até então ignorada e que provavelmente tornar-se-á meu vício dos próximos dias.
Esperei descobrindo também um livro no armário, que havia baixado tempos atrás pela internet.
Esperei pensando 'Como eu não sabia da existência desse livro e perdi a chance de grifá-lo com minhas próprias mãos?!'.
Esperei grifando logo um dos primeiros trechos com marca texto.
Esperei pensando em como é ruim esperar.
Esperei criando cenas na minha cabeça.
[O que é comum, mesmo quando não espero nada]
Esperei ignorando uma chamada no celular.
[Não eram aqueles dígitos por quais esperava]
Esperei retornando a ligação algum tempo depois.
Esperei recusando outros planos.
Esperei recusando outros planos.
Esperei atendendo uma ligação inesperada.
Esperei recebendo uma visita inesperada.
[Inesperada para esse dia, mas esperada no anterior]
Esperei conversando com a visita sobre a minha espera.
Esperei caminhando.
Esperei sentada.
Esperei levantando e caminhando outra vez.
[Já sem esperança de deixar de esperar]
Esperei me despedindo da visita.
Esperei esperando uma satisfação.
Esperei
[...]
E foi assim.
Da espera pelo previsível se fez a confirmação das incertezas.
Da visita inesperada uma coisa é certa: A espera por um amigo sempre vale a pena. [ou a demora]!
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Verbo Galeanear II
Os sonhos esquecidos
Helena sonhou que deixava os sonhos esquecidos numa ilha.
Claribel Alegria recolhia os sonhos, os amarrava com uma fita e os guardava bem guardados. Mas as crianças da casa descobriram o esconderijo e queriam vestir os sonhos de Helena, e Claribel, zangada, dizia a elas:
- Nisso ninguém mexe.
Então Claribel telefonava para Helena e perguntava:
- O que eu faço com os seus sonhos?
Eduardo Galeano, O Livro dos Abraços.
Verbo Galeanear I
Celebração da subjetividade
Eu já estava há um bom tempo escrevendo Memória do Fogo, e quanto mais
escrevia mais fundo ia nas histórias que contava. Começava a ser cada vez mais
difícil distinguir o passado do presente: o que tinha sido estava sendo, e
estava sendo à minha volta, e escrever era minha maneira de bater e abraçar.
Supõe-se, porém, que os livros de história não são subjetivos.
Comentei isso tudo com José Coronel Urtecho: neste livro que estou escrevendo, pelo avesso e pelo direito, na luz ou na contra-luz, olhando do jeito que for, surgem à primeira vista minhas raivas e meus amores.
E nas margens do rio San Juan, o velho poeta me disse que não se deve dar a menor importância aos fanáticos da objetividade:
- Não se preocupe – me disse. – É assim que deve ser. Os que fazem da objetividade uma religião, mentem. Eles não querem ser objetivos, mentira: querem ser objetos, para salvar-se da dor humana.
Comentei isso tudo com José Coronel Urtecho: neste livro que estou escrevendo, pelo avesso e pelo direito, na luz ou na contra-luz, olhando do jeito que for, surgem à primeira vista minhas raivas e meus amores.
E nas margens do rio San Juan, o velho poeta me disse que não se deve dar a menor importância aos fanáticos da objetividade:
- Não se preocupe – me disse. – É assim que deve ser. Os que fazem da objetividade uma religião, mentem. Eles não querem ser objetivos, mentira: querem ser objetos, para salvar-se da dor humana.
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